O Coelho fecha a primeira dezena de grupos da tabela do Jogo do Bicho com a leveza que se espera dele. Décimo bicho, vizinho da Cobra e do Cavalo, ele chega saltitando com um dos currículos simbólicos mais simpáticos do jogo: é o animal da fertilidade, da rapidez e — talvez acima de tudo — da sorte. Não à toa, o pé de coelho foi durante gerações o amuleto mais popular do Brasil, morando em bolsos e chaveiros de quem não dispensava uma ajudinha do destino.
O Coelho na tabela do bicho
O Coelho é o grupo 10 e cobre as dezenas 37, 38, 39 e 40. Na aposta de grupo, ganha quem escolheu o bicho cuja dezena saiu no sorteio — a dezena é sempre formada pelos dois últimos algarismos do prêmio. Um resultado terminado em 40, portanto, é Coelho. O passo a passo do sorteio e das apostas está em como funciona o Jogo do Bicho.
Na tabela dos 25 grupos, o Coelho segue a regra que vale para todos: o grupo N fica com as dezenas de 4N−3 a 4N — no caso, de 37 a 40. Ele é o penúltimo da longa fila de bichos com inicial C e marca a fronteira entre o primeiro e o segundo bloco da tabela. Se a conversa chegar a prêmios, lembre-se: os multiplicadores variam de banca para banca, e as diferenças entre modalidades de aposta pesam muito.
O que significa sonhar com coelho
Na tradição dos palpites, o coelho é sonho de bom agouro. Diz o costume que ele anuncia novidade chegando depressa — visita, notícia, oportunidade que aparece e passa rápido, como o próprio bicho. O coelho branco, em especial, teria fama de mensageiro de boas horas.
A leitura mais antiga, porém, é a da fertilidade: sonhar com coelhos, na crença popular, fala de família crescendo, casa cheia, projetos que se multiplicam. Como sempre, é tradição oral, não promessa — e, para o jogo, o palpite clássico aponta o grupo 10. Outras interpretações do repertório estão em sonhos e palpites.
Curiosidades
- O pé de coelho como amuleto de sorte é crença antiquíssima, trazida ao Brasil por várias correntes de imigração — e combina perfeitamente com um bicho que mora numa tabela de jogo.
- “Nisso há dente de coelho” é expressão tradicional para coisa suspeita, história malcontada. O bicho manso, no ditado, vira sinal de alerta.
- “Matar dois coelhos com uma cajadada só” é talvez a expressão mais usada da língua para resolver duas coisas de uma vez — o coelho, ali, é pura figura de eficiência.
- O coelho da Páscoa chegou ao Brasil com os imigrantes alemães no século XIX, como símbolo de fertilidade e vida nova. E Coelho é também sobrenome comum por aqui, herdado de Portugal — bicho tão familiar que virou nome de gente.