Nenhum bicho da tabela desperta reações tão divididas quanto a Cobra. Nono grupo do Jogo do Bicho, entre o Camelo e o Coelho, ela carrega milênios de simbolismo nas costas — ou melhor, na pele que troca. É o bicho da desconfiança e da traição no dito popular, mas também o da sabedoria, da cura e do recomeço. No universo dos palpites, poucos grupos têm tanta história para contar.
A Cobra na tabela do bicho
A Cobra é o grupo 9 e domina as dezenas 33, 34, 35 e 36. Na aposta de grupo, a conta é simples: a dezena sorteada — os dois últimos algarismos do prêmio — precisa ser uma das quatro do bicho escolhido. Resultado terminado em 33? Deu Cobra. Quem quiser entender o sorteio por inteiro encontra o passo a passo em como funciona o Jogo do Bicho.
Na tabela dos 25 grupos, a Cobra segue a aritmética que organiza tudo: o grupo N cobre as dezenas de 4N−3 a 4N, e o 9 fica com a faixa dos trinta e poucos. Ela é o único bicho rasteiro da longa sequência de iniciais C que atravessa a primeira metade da tabela. Sobre o que cada acerto paga, a resposta honesta é uma só: os multiplicadores variam de banca para banca, como mostram as modalidades de aposta.
O que significa sonhar com cobra
É talvez o sonho mais comentado de todo o repertório popular. Diz a tradição que sonhar com cobra pede atenção ao redor: falsidade por perto, conversa fiada, alguém de língua ferina. Matar a cobra no sonho, pelo costume, seria sinal de inimigo vencido; ser picado, aviso de mágoa que ainda vai doer.
Mas a tradição também guarda leituras generosas. A cobra que troca de pele anunciaria renovação — vida velha que fica para trás. E há quem diga, na crença antiga, que sonhar com cobra fala de gravidez chegando na família. Nada disso é certeza, tudo é herança oral; para o jogo, o palpite clássico aponta o grupo 9. Mais lendas do gênero em sonhos e palpites.
Curiosidades
- No falar brasileiro, “ser cobra” em alguma coisa é elogio: quer dizer especialista, fera no assunto. E “cobra criada” nomeia quem conhece todas as manhas. O bicho da desconfiança virou, curiosamente, medalha de competência.
- “Matar a cobra e mostrar o pau” é expressão antiga para quem prova o que afirma — fala e apresenta a evidência, sem deixar dúvida.
- O folclore brasileiro é povoado de serpentes: o Boitatá, cobra de fogo que protege as matas, e a Cobra Norato, lenda amazônica da cobra-grande que virou gente — e também poema famoso do modernismo brasileiro.
- A serpente enrolada no cálice e no bastão é símbolo mundial da farmácia e da medicina desde a Grécia antiga: o bicho do veneno é, desde sempre, também o bicho da cura.