Pode parecer injustiça com um animal tão associado à lama, mas na tabela do bicho o Porco é sinônimo de coisa boa: fartura, mesa cheia, dinheiro guardado. Grupo 18 do jogo, dono das dezenas 69 a 72, ele herda séculos de simbolismo camponês — onde havia porco no quintal, havia sustento garantido — e chega ao imaginário dos palpites como o bicho da prosperidade doméstica, aquele que promete o prato feito e o pé-de-meia.
O Porco na tabela do bicho
O Porco ocupa o grupo 18 dos 25 da tabela do bicho, com as dezenas 69, 70, 71 e 72 — é dele, portanto, a virada da casa dos 60 para a dos 70. Seus vizinhos de tabela são o Macaco, no grupo 17, e o Pavão, no 19.
Na aposta de grupo, a lógica é a de sempre: vale a dezena sorteada, formada pelos dois últimos algarismos do número premiado. Se ela for 69, 70, 71 ou 72, o Porco deu. Quanto se recebe por acerto é outra conversa — os multiplicadores variam de banca para banca — e o funcionamento geral do sorteio está explicado em como funciona o jogo do bicho.
O que significa sonhar com porco
Na tradição dos palpites, sonhar com porco é sonhar com abundância. Diz o costume que o porco anuncia ganhos materiais, fartura em casa e boa fase para os negócios — quanto mais gordo o animal do sonho, mais generosa a leitura popular.
Há também a versão de contrapeso, porque a sabedoria das esquinas nunca é ingênua: porco magro ou chafurdando na lama, segundo a crença, pediria cuidado com desperdício e com descuidos que sujam o que estava limpo. Tudo tradição, nada garantido — o tema completo está em sonhos e palpites.
Curiosidades
- O cofrinho em formato de porquinho é talvez o símbolo mais universal da poupança — e no Brasil não é diferente: gerações de crianças aprenderam a guardar moedas na barriga de um porco de louça.
- Reza uma tradição de virada de ano bastante difundida por aqui que comer carne de porco traz progresso, porque o porco fuça para a frente — ao contrário da galinha, que cisca para trás. Superstição de mesa farta, combinando com o espírito do grupo 18.
- “Espírito de porco” é como o brasileiro chama quem faz o mal pelo prazer de atrapalhar — curiosamente, uma das poucas expressões em que o bicho aparece como vilão, na contramão da sua fama de bicho da sorte grande.
- No universo rural brasileiro, engordar o porco do quintal era, literalmente, poupança viva: a família criava o animal o ano inteiro para garantir a festa e o sustento. É desse costume que vem boa parte do simbolismo de fartura que o grupo carrega no jogo.