De todos os bichos da tabela, o jacaré é talvez o mais brasileiro: senhor dos rios, dos mangues e das águas paradas do Pantanal e da Amazônia, ele atravessou do folclore ribeirinho para o Jogo do Bicho como o grupo 15. Entre o doméstico Gato e o majestoso Leão, o Jacaré guarda as dezenas 57, 58, 59 e 60 do seu jeito de sempre: imóvel na superfície, atentíssimo por baixo.
O Jacaré na tabela do bicho
O Jacaré é o grupo 15 da tabela dos 25 bichos e responde pelas dezenas 57, 58, 59 e 60. Na aposta de grupo, a dezena sorteada — os dois últimos algarismos do prêmio — precisa ser uma dessas quatro. Prêmio terminado em 58, deu Jacaré; terminado em 61, quem rugiu foi o Leão.
A posição segue a aritmética da tabela inteira: cada grupo cobre quatro dezenas seguidas, e o 15º fecha justamente na dezena 60. O grupo é a porta de entrada do jogo, mas não a única — dezena, centena e milhar estão explicadas em modalidades de aposta, e a história de como essa tabela nasceu, em história do Jogo do Bicho.
O que significa sonhar com jacaré
Na tradição dos palpites, o jacaré é o bicho do aviso discreto. Diz o costume que sonhar com jacaré pede olho aberto: haveria perigo escondido sob águas calmas — um negócio bom demais, um sorriso largo demais. Mas a leitura popular também enxerga virtude no bicho: jacaré parado ao sol falaria de paciência recompensada, daquela espera longa que termina no momento certo. Escapar de um jacaré, dizem os antigos, é sinal de livramento.
Vale o de sempre: são heranças da cultura oral, palpites contados com afeto — tradição, não previsão. O tema rende mais em sonhos e palpites.
Curiosidades
- “Lágrimas de jacaré” é o nome popular do choro fingido — o parente brasileiro das “lágrimas de crocodilo”, para desmascarar arrependimento de mentira.
- “Pegar jacaré” é como o brasileiro chama o corpo deslizando na marola sem prancha: de tão nosso, o bicho virou até manobra de praia.
- O ditado “jacaré que dorme vira bolsa” é uma aula de atenção em sete palavras: quem cochila no ponto errado paga caro pela distração.
- No Pantanal, o jacaré tomando sol em fila na beira do rio virou cartão-postal do país; na Amazônia vive o jacaré-açu, o gigante da família, personagem de muita história ribeirinha contada ao pé do fogo.