Se existe um bicho que dispensa apresentações no Brasil, é ele. O Cachorro é o grupo 5 do Jogo do Bicho, dono das dezenas 17 a 20 e do posto informal de bicho mais querido da tabela — afinal, é o único dos 25 que dorme aos pés da cama de tanta gente. Companheiro de portão, de sofá e de caminhada, ele entra no jogo carregando exatamente o que carrega na vida: fama de amigo fiel.
O Cachorro na tabela do bicho
Na tabela, o Cachorro é o grupo 5 e cobre as dezenas 17, 18, 19 e 20. Como em todos os grupos, a aposta vence quando a dezena sorteada — os dois últimos algarismos do prêmio — é uma dessas quatro. Prêmio terminado em 18, deu Cachorro; terminado em 16, foi o vizinho Borboleta. O passo a passo do sorteio está em como funciona o Jogo do Bicho, e o grupo é só a aposta mais famosa — as outras modalidades estão em modalidades de aposta.
Fechando a primeira fileira de cinco bichos da tabela, o Cachorro encerra o “primeiro quinto” do jogo — dali em diante começa a bicharada dos grupos 6 a 25.
O que significa sonhar com cachorro
Na tradição dos palpites, o cachorro é o bicho da amizade. Diz o costume que sonhar com um cachorro manso e alegre anuncia amigo verdadeiro por perto, proteção e boas companhias. Cachorro que late sem parar, na leitura popular, seria aviso de fofoca rondando; e cachorro bravo ou que morde pediria cuidado com falsidade de gente próxima — o velho tema do amigo que não era bem amigo.
Nada disso é regra: é tradição contada de geração em geração, com variações em cada esquina e em cada livro de sonhos. O costume inteiro está explicado em sonhos e palpites.
Curiosidades
- O vira-lata caramelo virou patrimônio afetivo nacional: o cachorro sem raça definida, cor de doce de leite, é celebrado em memes, homenagens e no coração do país — e é a cara que muito brasileiro imagina quando pensa no grupo 5.
- Foi o dramaturgo Nelson Rodrigues quem cunhou a expressão “complexo de vira-lata”, falando de futebol e autoestima nacional — mais uma prova de que o cachorro serve até de espelho para o Brasil pensar sobre si mesmo.
- A literatura brasileira tem uma cadela inesquecível: Baleia, de “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, talvez o animal mais comovente das nossas letras.
- “Cão que ladra não morde”, ensina o ditado — e a sabedoria popular sobre cachorros é tão vasta que a tradição dos sonhos praticamente nasceu pronta para o bicho: lealdade quando manso, alerta quando bravo.